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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Brasil começa a desenvolver o social commerce

Fernando Soares, especial para o JC
ANTONIO PAZ/JC
Bertolazi pesquisa na internet sobre os produtos que quer comprar
Bertolazi pesquisa na internet sobre os produtos que quer comprar
 
Habituado a passar a maior parte do dia conectado na internet, o estudante de jornalismo Alexandre Bertolazi, 27 anos, não abre mão de buscar informações online para embasar suas decisões de compra. Ao procurar por um modelo de tênis, ele indagou na página do fabricante no Facebook se havia alguma revenda em Porto Alegre.

Uma loja da Capital viu a mensagem e lhe informou que tinha o artigo em estoque. Com urgência em retirar o item, o universitário fez a tratativa na rede, efetuou o pagamento no site da empresa e pegou o par pessoalmente uma hora depois. Hoje, os pés de Bertolazi calçam um fruto do social commerce, modalidade de consumo que começa a dar os primeiros passos no Brasil.

Composta por um híbrido de e-commerce e social media, a expressão é utilizada para caracterizar a comercialização de produtos através das redes sociais. Encaixam-se nessa categoria desde a etapa de negociação de um item até a efetuação do pagamento na própria ferramenta social. "Se existe uma transação iniciada na rede social, ela pode ser entendida como social commerce mesmo que não seja concluída nessa mídia", explica Gerson Rolim, consultor da Câmara-e.net.

A possibilidade de conduzir o processo de aquisição sem interromper a interação com os amigos ou a postagem de conteúdos é um dos fatores cruciais na disseminação dessa alternativa. Além disso, a opção encontra respaldo no comportamento dos usuários, que transformaram as redes sociais em referências para consumir dentro e fora da web. "Sou o famoso cliente chato. Eu não gosto de bater perna em shopping. Sempre pesquiso o modelo, o número, a cor e todas as especificações do produto que eu quero", relata Bertolazi, que também costuma utilizar as mídias sociais para indicar e opinar sobre algo adquirido.

As vantagens proporcionadas pelas plataformas virtuais não se resumem apenas ao consumidor. Através delas, as companhias podem identificar o público-alvo correto. "Na rede social há mais facilidade em encontrar tribos do que na internet como um todo. Isso é bom, principalmente, para os empresários de micro, pequeno e médio porte que vendem produtos para nichos. O social commerce permite oferecer o produto certo ao comprador adequado", destaca Rolim.

Apesar da instantaneidade típica da internet, o dirigente aposta que o social commerce resistirá à passagem do tempo. "Essa modalidade, sem sobra de dúvidas, veio para ficar. Ela praticamente nasceu neste ano e ainda vai evoluir bastante, pois não precisa estar atrelada a uma rede social específica", projeta. O estágio inicial no qual se encontra a iniciativa justifica a falta de levantamentos em relação à potencialidade do mercado brasileiro.

A julgar pelos números gerais, entretanto, o Brasil exercerá um papel importante na expansão global da atividade. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope Nielsen em setembro, 77,8 milhões de brasileiros têm acesso à internet. Destes, mais de 30 milhões detêm uma conta no facebook, a rede social mais popular no País. Hoje, a nação sul-americana responde por 60,8% do faturamento do e-commerce na América Latina. De acordo com o consultor da Câmara-e.net, o social commerce deve atingir participação semelhante no âmbito latino-americano.

Aplicativo permite criar loja no Facebook

No intuito de capitalizar com a expansão do social commerce no Brasil, empresas começam a desenvolver ferramentas para transformar páginas do Facebook em lojas virtuais. Lançada em agosto deste ano, a LikeStore é um dos aplicativos que permite a qualquer usuário explorar essa alternativa, rotulada como f-commerce. Mesmo com pouco tempo de atividade, o serviço ganha adeptos em escala progressiva no País. Até o momento, mais de 2,6 mil perfis na rede social se constituem em locais de negociação de produtos.

"Esperamos, no primeiro ano de operação, fechar 150 mil vendas, tendo um tíquete médio de R$ 120,00. Isso resultaria em uma movimentação de R$ 18 milhões nesse período", afirma Gabriel Borges, idealizador da iniciativa. Encabeçada pelos pequenos e médios comerciantes, a quantidade de lojistas deve chegar a 4 mil até o final do ano. A partir de um cadastro gratuito, o interessado pode começar a vender artigos online. "É um serviço self service. O usuário monta a loja em cinco passos", resume Borges. Apesar de a construção da página ser feita sem custos, cobra-se comissão sobre cada negócio concretizado.

No Rio Grande do Sul, o site de vendas coletivas Gooroo apostou no f-commerce e desenvolveu um espaço para comercializar oito produtos de parceiros. Em três meses, mais de 150 vendas foram fechadas. "Esse é um meio que funciona bem. Se as pessoas estão dentro do Facebook trocando informação não tem por que tirá-las dessa plataforma na hora da compra", diz Raquel Choaire, gerente de operações do Grupo Domani, responsável pelo Gooroo. Mediante os resultados obtidos até o momento, Raquel conta que, a partir de março de 2012, mais produtos e serviços serão ofertados.

Enquanto algumas companhias se estabelecem nesse ambiente, outras estudam uma forma de lucrar com esse canal. "Nossa loja no facebook está como projeto-piloto", diz Rafael Camargo, um dos sócios da Manto Football T-shirts, loja online que disponibiliza seus produtos nessa plataforma há dois meses. Mesmo assim, as ações de divulgação da marca em redes sociais têm trazido retorno. "Fizemos um sorteio por Facebook e Twitter. Também anunciamos por dois dias seguidos e conseguimos três vendas no site. Pode não parecer muito, mas, em relação ao quanto se investiu, foi um retorno significativo", pondera Camargo.

Varejo adere às redes sociais para aumentar faturamento

Atentas às situações de negócio proporcionadas pelas redes sociais, as grandes empresas não querem deixar de aproveitar esse mercado. No País, entre os setores de maior porte, o varejo sai na frente quando o assunto é a utilização de ferramentas como Facebook e Twitter. Seja para organizar promoções, realizar vendas ou sanar as dúvidas dos consumidores, elas se tornaram indispensáveis nesse ramo. Aos poucos, o social commerce se arraiga ao cotidiano das marcas do segmento, tornando-se um meio de incrementar o faturamento.

"As grandes empresas investindo nessa área são a prova de que o varejo online é um dos setores mais avançados do social commerce brasileiro", diz a consultora em marketing digital e mídias sociais Camila Porto. Atualmente, o Magazine Luiza possibilita aos clientes a realização de transações via Facebook e Orkut. Já o Ponto Frio utiliza o espaço virtual para promover ofertas exclusivas aos internautas e conceder cupons de desconto aos usuários que curtem a página da empresa no Facebook.

Camila acredita que os consumidores valorizam a adesão dos varejistas às plataformas sociais, mas enfatiza a necessidade de as marcas melhorarem em determinados aspectos. "Inovar nas redes sociais é fundamental, mas corrigir problemas antigos também é muito importante. Basta acessar o Facebook das lojas para perceber o descaso das áreas como atendimento ao cliente, logística ou venda. É uma chuva de comentários e pedidos", constata.

Fonte: JC
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