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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mídia social não é padaria

Parece que as empresas e as pessoas estão um pouco confusas com alguns conceitos simples e primordiais de comunicação. Muito se fala no quanto hoje o contato é principalmente digital, como se isso fosse um fim em si. Porém, a tecnologia nada mais é do que mais uma ferramenta a serviço de um objetivo que continua sendo o mesmo: melhorar a comunicação entre as pessoas.

A facilidade e a rapidez que as mídias sociais hoje nos proporcionam — contato, compartilhamento, atualização, colaboração, entretenimento etc — só fizeram acirrar nossas demandas e desejos por uma sociedade mais interativa. Essa interação envolve também a comunicação face a face, tanto nas empresas quanto na vida pessoal.

Em outras palavras, as mídias digitais só aumentaram a nossa percepção de que a comunicação continua sendo o bem mais precioso para se conseguir tudo, ou quase tudo. No entanto, muita gente ainda encara mídia social de maneira equivocada. Não é padaria, não produz em série, não usa sempre a mesma receita. 

Quer engajar seus funcionários em um projeto? Faça-os participarem, converse com eles, mantenha-os informados. As mídias digitais ajudam no processo? Claro que sim, mas da mesma forma que reuniões pessoais, eventos, trabalho em equipe, conversas olho no olho. Depende do momento e da situação. As mídias digitais são poderosas ferramentas para facilitar e acelerar o processo, mas talvez elas façam muito menos sucesso e sentido em certos ambientes do que o bom e velho bate papo.

Conversar ao vivo não é pecado
Será que, por exemplo, as comunidades afetadas pela usina hidrelétrica de Santo Antonio, em Rondônia, têm essa familiaridade toda com computadores? E mesmo que tivessem, não preferem eles ouvir da boca de técnicos e engenheiros como suas vidas serão impactadas pela usina? A conversa direta, pessoalmente, em reuniões com os moradores, é o que tem garantido à Odebrecht, líder do consórcio construtor, a compreensão e o apoio das pessoas para a obra.

Estratégia semelhante foi utilizada pelo grupo sucroenergético USJ e pela Cargill, multinacional no setor de alimentos, ao anunciarem a criação da joint-venture SJC Bioenergia. A nova empresa passou a ser a gestora das usinas de açúcar e etanol São Francisco e Cachoeira Dourada, ambas em Goiás, originalmente controladas somente pelo Grupo USJ. A novidade, os planos para o futuro e as informações relevantes foram contadas aos funcionários dessas usinas diretamente pelo presidente da USJ e o diretor da Cargill, em uma grande reunião presencial. Olho no olho versus tecnologia. O resultado? Otimismo, tranquilidade e confiança.

Não estou dizendo que as mídias sociais não são boas. Ao contrário. Mas usar as mídias sociais e qualquer tecnologia digital somente por usar, sem entender o contexto e o que realmente serve ao público que você quer atingir, é um desperdício de tempo, dinheiro, recursos humanos. E, no final das contas, a frustração pelo insucesso da comunicação será dura de engolir.

Fonte: Exame
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