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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Privacidade é algo que não existe nas redes sociais

Catiane Magalhães REPÓRTER

Privacidade é algo inexistente nas redes sociais. Criados com o intuito de localizar e aproximar pessoas, além, é claro, de estabelecer contatos com grupos em comum, os sites de relacionamento foram transformados em uma espécie de diário eletrônico, onde os usuários postam passo a passo da sua rotina.

Do lugar onde está à comida que se alimentou, nada escapa aos comentários. São muitas informações e pouco conteúdo. Para quem não se incomoda em se expor, há espaço até para relatos da vida pessoal, amorosa e financeira. Se esse tipo de ‘desabafo’ agrada quem o faz, ao mesmo tempo tem incomodado uma legião de usuários e provocado uma “chuva” de reclamações por parte do mesmo.
 
A ferramenta ainda não está disponível para todos os usuários, mas aqueles que já utilizam conferem automaticamente, e em tempo real, os registros de novos amigos, comentários, recados, fotos, curtições e qualquer tipo de conteúdo postado. Tudo fica visível.  
 
A novidade, entretanto, não tem agradado, pois já chegou com um grave equívoco: ela não respeita às configurações de privacidade dos usuários, ou seja, mesmos os que bloquearam suas contas para não exibir as atualizações têm as informações divulgadas.
 
Que o digam os usuários do facebook, que agora passaram a utilizar uma nova ferramenta: o Ticker. A barra lateral, que funciona como uma mini-facebook frenético dentro do próprio face, atualiza em tempo real as mudanças na conta dos usuários. O lado ruim é que seus amigos virtuais ou seguidores são obrigados a compartilhar todas as informações, inclusive as que não gostaria.
 
O grau de insatisfação dos que, dentro do possível e dos limites da terra de ninguém (internet), onde milhões de assuntos são comentados por segundo, ainda prezam pelo mínimo de privacidade é tão grande que resultou numa campanha contra a nova versão do facebook.
 
Já circula na rede um vídeo, postado por milhares de internautas brasileiros, com o título de “não gostei do novo facebook”, o desabafo é um dos mais compartilhados da rede social.
 
A Tribuna fez uma simulação para provar que o Ticker fere o pedido de privacidade dos que optam por manter em “sigilo” as próprias atualizações, através do botão de bloqueio. Criamos uma situação envolvendo três usuários, sendo dois que não utilizam o Ticker e outro que dispõe da ferramenta.
 
Apesar de os dois usuários que não têm o Ticker terem bloqueado a divulgação de suas atualizações, todo o conteúdo de ambos foi visualizado, em tempo real, pelo terceiro personagem da brincadeira.
 
“Não gostei das alterações do site. Não sei se o comportamento das pessoas mudou ou se já era assim e agora eu passei a ter acesso. O fato é que antes eu só via os recados que deixavam em minha página, os comentários ligados a mim e as fotos que eu tinha marcado. Agora não! Vejo tudo de todos que estão na minha lista. É uma chatice, pois é um festival de piadas sem graça, notícias que não mudam a minha vida e até pornografia”, comentou o jornalista brasileiro que mora em Portugal, Luís Salvino.
 
Mudanças no facebook
 
Para ele, essa não foi a única mudança mal sucedida do facebook. Anteriormente, o site já havia alterado o seu chat (serviço de bate-papo), substituindo as janelas com fotos dos contatos online por uma espécie de aba complementar, alterando do lado esquerdo para direito. Assim, o usuário só saberá quem está disponível para a conversa se ampliar a janela e não mais pelo ícone verde ao lado da imagem.
 
Segundo ele, por causa das mudanças ele já pensou em deletar sua conta, mas resolveu mantê-la pelos contatos profissionais e por causas dos amigos que deixou deste lado do oceano. “Se não fosse por isso já teria cancelado meu perfil. Acho muita invasão, muita babaquice, mas não há outra rede tão abrangente, por isso permaneço”, ressalta.
 
“Só acho que os usuários deveriam ser avisados com antecedência e ainda que as ferramentas deveriam ser opcionais. Adere quem quer”, pontua. Por outro lado, ele brinca: “A gente está na chuva é para se queimar (risos). Quem não sabe brincar não desce para o play, já que se estamos na rede somos obrigados a ver todo tipo de comentário, por mais inútil que seja, ou então pede para sair”, diz.
 
Sem alternativa – Migrar de uma rede social para outra não é a solução, já que elas adotam políticas e ferramentas parecidas. O twitter também inaugurou recentemente um recurso semelhante, o Activity (atividade em português).
 
A nova aba também reúne em tempo real seus tuítes e de usuários marcados como favoritos. As atualizações dão conta dos perfis que eles começaram a seguir e de conteúdos que retuitaram ou foram retuitados.
 
Apesar de o recurso facilitar o acesso às informações, ao contrário do twitter, se o usuário tiver o cadeado em sua página, ou seja, com configuração de privacidade, o conteúdo não é divulgado.
 
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