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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Projeto mostra quantos escravos trabalham para cada consumidor

Por Bruna Saniele
 
Site faz estimativa do número de escravos gerados pelos hábitos de consumo de cada habitante
Site faz estimativa do número de escravos
gerados pelos hábitos de 
consumo de cada habitante
Foto: Divulgação
Os carros utilizados no Brasil, os alimentos consumidos na Índia, as peças de roupa que fazem parte dos desfiles de moda de Paris, dentre outros artigos consumidos pelos sete bilhões de habitantes do mundo estão, direta ou indiretamente, acarretando na escravidão de 27 milhões de pessoas. É o que afirma a organização americana sem fins lucrativos Slavery Footprint (Pegadas da escravidão, em inglês). No site da organização, os consumidores podem descobrir a sua "pegada da escravidão", ou seja, o número de pessoas que são forçadas a trabalhar sem remuneração devido aos hábitos de consumo de cada habitante. Segundo o site, o número de escravos na atualidade é maior que o encontrado em qualquer outro período da história. Para o criador e CEO da organização, Justin Dillon, a escravidão é um assunto difícil de ser abordado já que os escravos atuais são praticamente invisíveis ou vivem escondidos. "O site chama a atenção porque não perguntamos se os consumidores possuem escravos, mas afirmamos que todos têm. Assim as pessoas começam a pensar sobre esse assunto", diz.Criado no dia 22 de setembro deste ano, o site começou a atuar com uma equipe de seis funcionários e a expectativa de atingir a meta de 150 mil testes até o dia 31 de outubro. Conforme a organização, essa marca foi rapidamente superada e, até o final do mês de novembro, aproximadamente 2 milhões de pessoas já sabiam a sua "pegada". O site informou que recebeu 632 mil visitantes só do Brasil até o dia 8 de dezembro e aproximadamente US$ 250 mil em doações.Segundo os criadores, foi por meio de uma pesquisa rigorosa e da análise de dados do governo dos EUA, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do ranking da corrupção da Transparência Internacional, dentre outros documentos e com base em algoritmos que eles estimaram o número de trabalhadores forçados por consumidor envolvidos na produção de cerca de 450 produtos, desde carros (nove escravos), computadores (3,4 escravos), smartphones (3,2 escravos), fraldas (1,9 escravos), camisetas de algodão (0,9 escravo) e laranjas (0,1 escravo). A pontuação dada a cada produto baseia-se em todo o material usado para criá-lo e no país em que é produzido. A principal função do teste é incentivar os consumidores a questionar a postura das grandes marcas e obrigá-las a checar a cadeia de produção. "As marcas vão verificar de onde os produtos que utilizam vêm se os consumidores exigirem isso. O primeiro passo é descobrir quantos escravos trabalham para você", diz Dillon. O site não faz campanha contra nenhuma marca específica e diz que as grandes empresas já fazem um trabalho de verificação da cadeia produtiva que, no entanto, ainda é insuficiente. "Mais importante do que receber doações é a conscientização. Queremos alertar as pessoas para essa situação que existe e pouca gente conhece. Nós buscamos quebrar a indiferença sistêmica em relação à escravidão e mostrar que esse é um problema de todos", comenta o CEO. 
Fonte: Terra
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