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segunda-feira, 28 de maio de 2012

BlackBerry terá "foco" em crianças e adolescentes para sobreviver

Lançamentos têm objetivo de, explicitamente, expandir para servir a demanda, de acordo com Matthias Glanz, vice-presidente global de produto. Foto: Rafael Maia/Terra
Lançamentos têm objetivo de, explicitamente, expandir para servir a demanda, de acordo com Matthias Glanz, vice-presidente global de produto Foto: Rafael Maia/Terra

Por Rafael Maia 
Direto de Cartagena das Índias, Colômbia
A companhia canadense RIM, fabricante do BlackBerry, funciona claramente sob uma política de focos. Com a nova linha Curve, anunciada para a América Latina nesta quarta-feira em Cartagena das Índias, na Colômbia, a história se repete, mas com um olhar diferenciado: as crianças e os jovens de 16 a 25 anos. O objetivo, de acordo com Matthias Glanz, vice-presidente global de produto da divisão para smartphones da RIM, é explicitamente expandir para servir a demanda. O que está implícito, no entanto, é que a expansão acontece para a sobrevivência no mercado.

Os smartphones Curve 9320 e 9920, pensados localmente para a América Latina, são dispositivos "low-end", com alta demanda e preço relativamente baixo em comparação com os gigantes da telefonia móvel iPhone, da Apple, e produtos de diversas fabricantes da grife do sistema operacional Android, do Google. Eles são, no entanto - ou talvez por isso mesmo - , aparelhos com teclado físico - e não o virtual com tela touchscreen.

Mas como pensar em dispositivos com foco no público jovem e infantil com um teclado físico em vez justamente de uma tela touchscreen? A resposta, para Glanz, está na experiência do usuário. "Há estudos usados pela RIM que mostram que, na verdade, um dos maiores usos para os smartphones 'low-end' por jovens é para mensagens de texto", afirmou o vice-presidente, evidenciando que a linha Curve, que não teve preço nem data de chegada às lojas confirmados, é feito para quem quer "conversar bastante". 

"Eu acredito que haverá uma adoção muito alta desses produtos", previu Glanz, ressaltando que a vocação dos aparelhos é a facilidade da comunicação, o acesso às redes sociais e a integração do Facebook e do Twitter por meio da galinha dos ovos de ouro do BlackBerry, o BlackBerry Messenger - comumente conhecido como BBM.

Chegou a hora de ter um BlueBerry, WhiteBerry e um PinkBerry?
Os nomes de fato não existem, mas as cores que eles representam, sim. Acompanhando o foco em crianças e adolescentes dos novos dispositivos "low-end" - obviamente direcionados para um público com menor poder aquisitivo - a BlackBerry quer fazer diferente. 


O que poderia ser uma estratégia arriscada - já que a marca está necessariamente relacionada ao mundo dos negócios - pode ser, afinal, a sobrevivência no mercado. "Existe uma demanda. Continuaremos a desenhar dispositivos onde houver uma demanda", justifica Glanz na defesa da mudança de foco da fabricante canadense. 

Há, também, um outro fator nesta jogada de mercado. A tela touchscreen, como lembra Glanz, é direcionada para aparelhos "premium", como o iPhone da Apple e Galaxy S III da Samsung, por exemplo, equipado com Android. O preço de ambos no Brasil pode ultrapassar facilmente a barreira de R$ 2 mil. Embora seja um software, a tecnologia touch requer uma tela especial, um preparamento diferenciado e uma finalização física com mais camadas - o que significa, em tecnologia, mais dinheiro gasto.

Vale lembrar que, ao atingir crianças e jovens com baixo poder aquisitivo, a RIM pretende também conquistar uma fatia de mercado que a Apple e os "top de linha" que usam Android não têm. A jogada deve significar mais do que o aumento de portfólio. Ao conquistar um público "excluído" da revolução dos dispositivos móveis com um nome que carrega confiança e prestígio, a RIM pode, por tabela, garantir a própria sobrevivência.

Terra
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