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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Site encontra candidato que mais combina com ideias do eleitor

Teste compara ideologia do eleitor e suas prioridades para a cidade com os perfis de candidatos. Foto: Reprodução
Teste compara ideologia do eleitor e suas prioridades para a cidade com os perfis de candidatos
Foto: Reprodução

Você sabe qual o candidato que mais combina com você em termos de ideologia políticas, conceitos sobre sociedade e visão da economia? Bem, o Repolítica sabe. O site, lançado em 2010 e que estreia novidades neste ano, compara as aspirações do eleitor com as opções de políticos. 


Para as eleições 2012 uma das principais novidades é que, além de ideologia, o site compara as prioridades do político para a cidade - saúde, infraestrutura, desenvolvimento - e os projetos específicos em cada município. Assim, em São Paulo o sistema traz uma questão sobre a regulação dos motoboys e outra sobre a parada Gay na avenida Paulista; no Rio de Janeiro, sobre a derrubada da Perimetral e o cercamento das favelas; em Porto Alegre, sobre a revitalização da Orla do Guaíba, por exemplo.

"Você quer votar em um liberal, de direita, que prioriza saúde e educação e é a favor das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), digamos. O sistema busca todos os candidatos e avalia qual possui a maior quantidade de características como as que você inseriu", resume Daniel Veloso, responsável pelo planejamento do site. Ele conta que o levantamento dos projetos municipais começou pela equipe própria do Repolítica, mas também recebe sugestões dos usuários. "As perguntas são abertas, a gente vai incluir novas até a última semana de eleição", explica. 

O teste do candidato, como se chama o sistema que sugere o melhor político, é o conteúdo mais acessado do site, segundo Veloso, mas a participação em geral também está grande nesses primeiros meses de 2012. "As pessoas estão ficando mais conectadas. Aquela alienação de você só ter as notícias que passam na TV está se reduzindo", opina. E um aplicativo para smartphone? "Temos expectativa de ter um já em 2012", revela, "mas ainda não conseguimos desenvolver por falta de tempo e dinheiro".

O início
"Como comparar mais de mil candidatos a vereador pra escolher um? E o tempo de que você precisa para fazer isso, o esforço?", questionavam-se os cocriadores do projeto - Veloso, Rodrigo Rego, Eduardo Nicodemos, Raphael Leng Li e Miguel Lannes. Além disso, havia a questão de que muitos candidatos teriam chances desiguais por causa dos orçamentos mais baixos para a campanha. 

O Repolítica nasceu, então, como uma busca por alternativas ao atual sistema de campanha. "Queríamos tornar as eleições mais conscientes e justas", resume". "As ferramentas digitais estão revolucionando várias plataformas, desde comércio eletrônico a sistemas de financiamento coletivo, mas não entraram com essa força todo na política, e é o que a gente tenta fazer: revolucionar a forma como se conduzem campanhas eleitorais ", afirma.

Os dados
Os mecanismos encontrados foram dar ao usuário informações sobre mais de 400 mil candidatos. As informações foram recolhidas do TSE e do portal Transparência Brasil, compondo perfis com nome, número e partido, além de, no caso de políticos que já ocuparam cargos públicos, dados sobre assiduidade na câmara, projetos apresentados, gastos de gabinete e ocorrências na Justiça.

Com a base pronta, a inteligência coletiva começou a operar. "A gente não tinha como ter certeza de que os políticos iam se manifestar, informar suas prioridades, então pensamos que se as pessoas pudessem falar conseguiríamos as informações delas, e não apenas da boca dos políticos", explica. Além disso, a participação dos usuários ajuda a "transformar as reclamações das pessoas em dados comparáveis e quantificáveis".

Quem informa se o político é de direita ou esquerda, conservador ou liberal, não é o candidato, e sim os usuários do site. "Tem quem se diz liberal, mas aí você lembra que ele uma vez propôs um projeto conservador, então você vai no perfil dele e opina", detalha. As opiniões vão se somando de modo a compor a base de dados que, depois, vai ser cruzada com a opinião do eleitor para indicar o melhor candidato no teste.

Como funciona
A inteligência artificial do sistema que indica o candidato ideal a cada usuário não tenta encontrar alguém com exatamente todas as características em comum. "Se fosse assim, a chance de não se encontrar nenhum resultado seria muito grande." A intenção é selecionar os pleiteantes que mais combinam com o eleitor.

E essa medida de afinidade também se aperfeiçoa constantemente. "Quando o usuário diz se votaria ou não na sugestão (do site), ele ajuda o sistema a aprender quais as características de cada candidato. Então quanto mais gente faz o teste, mais inteligente ele fica", descreve Veloso. Mais do que isso, quanto mais dados de usuários forem comparados, mais desvios o sistema vai corrigindo.

Os políticos podem opinar sobre suas próprias características, como qualquer usuário, mas suas informações não têm peso maior que o de outras pessoas. O que eles podem acrescentar são dados de propostas, trajetória política, ações já realizadas.

Eleitor manda mais
Além das informações que a equipe do Repolítica reuniu e das que foram obtidas em órgãos e entidades, os usuários também podem opinar nos perfis de candidatos. Outra novidade em 2012 é que agora é possível postar notícias e vídeos sobre o político.

O candidato tem a possibilidade de deletar esses comentários, mas quando o faz o sistema deixa evidente que houve a exclusão. "Se o político tem uma taxa alta de comentários removidos, não é bom para ele, porque ele se mostra não-transparente", explica o cocriador do projeto. "Há também uma ferramenta para o usuário votar se o comentário é relevante ou não, então apoiadores podem negativar um comentário injurioso sem que seja preciso deletá-lo ", continua Veloso. Outra funcionalidade que pode ser usada nesse caso é a de responder ao comentário. "Essa é a postura ideal, responder em vez de simplesmente apagar", continua.

Hoje, o sistema conta com cerca de 1,2 mil políticos administrando os próprios perfis. "Eles curtem bastante, principalmente os que não têm maiores canais de divulgação. A gente só teve basicamente elogios até agora", orgulha-se Veloso.

E o dinheiro?
Para o relançamento do site em 2012 - que agora tem login via Facebook para facilitar a participação sem registro, e está com novo layout -, a equipe conseguiu levantar R$ 30 mil via crowdfunding (quando várias pessoas doam dinheiro a um projeto específico). Mas a cifra não cobre os custos de manter, permanentemente, a base de dados e o sistema de inteligência.

"É um site que custa muito para ser desenvolvido, em termos de mão de obra e de tempo. Precisamos sustentar também os servidores", cita Veloso. Ele diz que o grupo já pensou em cobrar dos políticos para ter acesso ao site, mas desistiu por perceber que a ideia ia contra a ideologia do projeto. "Faz parte do nosso pressuposto básico que o site dê considerações iguais para todos os candidatos", reforça. 

"A intenção não é que seja comercial, é fazer um sistema legal que realmente ajude as pessoas a votarem de forma mais consciente, e fazer com que haja campanhas eleitorais mais equilibradas ", conclui. 

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