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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Jogos ajudam analistas a tomar decisões em situações de perigo


Jacob Graham, criador do jogo, baseou-se em informações sobre operações reais da inteligência americana no Iraque
Foto: Divulgação

Jogos podem ajudar analistas a superar preconceitos e tomar decisões acertadas em situações de perigo iminente. Esse é o resultado de uma pesquisa desenvolvida pela universidade Penn State, nos Estados Unidos, com a Raytheon, e apresentado na terça-feira na Conferência de Tecnologias para Segurança Nacional do Instituto de Engenheiros Eletricistas e de Eletrônica (IEEE, na sigla em inglês).

Os exercícios foram conduzidos com engenheiros sem treinamento de análise de inteligência, que jogaram um game baseado em situações reais de combate a militantes anti-americanos no Iraque. Jacob Graham, criador do jogo virtual, explica que o resultado do estudo se baseia em análises cognitivas relacionadas a noções preliminares que as pessoas têm.

"Essas noções são muito difíceis de identificar, mas é importante reconhecê-las na teoria de decisão e análise", afirma o pesquisador. "Para quem toma decisões, noções prévias podem fazer a diferença entre a vida e a morte", resume, explicando que quem se atém ao que já conhece pode deixar passar dados que indiquem um cenário novo ou inesperado.

O estudo que Graham conduziu com Donald Kretz e B. J. Simpson surgiu da vontade de confirmar pesquisas anteriores que sugeriam as ideias pré-concebidas como causa de fracassos recentes em operações de inteligência nacional americana. "Há muitos estudos no pós 11 de Setembro sobre insucessos em análise de inteligência e de informações. O que eles descobriram é que há um número razoável de obstáculos a uma análise de inteligência boa e completa, mas o que é mencionado com mais frequência são as noções pré-concebidas", explica Kretz.

No game, o jogador tem acesso a mensagens, ligações interceptadas e dados sobre atividades de grupos de insurgentes em uma região pobre de Bagdá. Eles acompanham a ação, o ataque e verificam dados posteriores. Então, devem apontar os responsáveis pelo que aconteceu e os motivos que levaram ao cenário final.

Os participantes do estudo foram divididos em três grupos. O primeiro analisou os dados tentando estabelecer as relações entre os envolvidos identificados e não identificados, procedimento chamado de análise conexões. O segundo grupo buscava informações e equilibrava o peso dos dados.

O terceiro grupo foi orientado a usar a teoria da competição para explicar os atos dos insurgentes. Isso porque, segundo os pesquisadores, criar hipóteses alternativas é uma forma de evitar o uso de noções prévias.

Essa último grupo, segundo Kretz, teve desempenho muito superior ao dos outros dois na hora de identificar os agressores e seus alvos. "Criamos um exercício para permitir que analistas observem uma série de mensagens, e conseguimos provar que eles já têm ideias pré-concebidas", explica.

Segundo o pesquisador, o game poderia ser usado, no futuro, para que os analistas observem quais são suas noções prévias e possam minimizá-las. Também é útil para criar tecnologias inteligentes que auxiliem na análise de inteligência.

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