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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Próximo Facebook pode nascer no Brasil, diz fundador de Universidade

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O indiano Salim Ismail, 47, é um dos fundadores da Universidade da Singularidade, organização encravada em um campus da Nasa, a agência espacial dos EUA, no Vale do Silício.

Anualmente, 80 estudantes do mundo todo vão à instituição, em Mountain View (Califórnia), para um curso de dez semanas em que, como define a própria universidade, "aprendem a resolver os maiores problemas globais", como a fome e os desastres climáticos.

Para Ismail, empresário que hoje coordena o processo de expansão global da escola, o próximo Facebook pode ser fundado no Brasil. "Não há motivo para isso não acontecer", disse em e-mail à Folha o diretor da universidade norte-americana.

Ele estará em São Paulo na semana que vem, para realizar uma palestra na sexta edição da Campus Party, evento de tecnologia que começa na próxima segunda. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

A universidade

A ideia central [da Universidade da Singularidade] é estudar as áreas da tecnologia que estão se transformando mais rapidamente, como a computação, a robótica e a biotecnologia, para resolver os maiores problemas globais, como a crise financeira, pandemias e outras questões exponenciais.

Soluções exponenciais

Estamos acostumados a uma forma de pensamento linear, enquanto os maiores problemas do mundo são exponenciais -no caso de uma doença contagiosa, por exemplo, eu posso transmiti-la para duas pessoas, essas duas pessoas para mais quatro, e assim por diante. Nós estamos preparando os estudantes para encontrar soluções que também sejam exponenciais, em especial ligadas a áreas como a computação, que se aceleram por conta própria.

Pensar diferente

Estamos verificando o crescimento de organizações como o TED e o X Prize [fundações que apoiam o surgimento de ideais e projetos sociais e humanitários]. Nelas, quando uma pessoa é adicionada ao grupo, há um salto de produtividade muito superior ao do que aconteceria em uma empresa tradicional. São colaborativas, conectadas, usam "crowdsourcing" e têm uma visão de propósito que cria um novo tipo de estrutura.

Voz estrangeira

Cerca de 85% dos nossos estudantes não são dos EUA. Os cerca de 4.000 candidatos anuais vêm de 120 países. Não poderíamos querer resolver problemas globais sentados no Vale do Silício. As diferentes formas de pensamento são importantes para nós.

Poder do Brasil

Somos muito otimistas em relação ao Brasil, porque há muito entusiasmo e empreendedorismo natos. Quando isso é exposto a tecnologias poderosas, pode ter resultados extraordinários. Acredito que, por isso, o Brasil será um dos mais importantes países para as próximas gerações.

Por causa do advento dos celulares e da democratização da tecnologia pessoal, acho que o próximo Facebook deve nascer no Brasil ou em outro país emergente. Não há razão para que isso não aconteça. O Facebook foi criado em um notebook de US$ 1.000; o próximo deverá ser feito em um celular de US$ 100.

A Nasa e o Vale do Silício

É essencial [para a universidade] que estejamos na Nasa e, mais importante, no Vale do Silício. Em um raio de 50 km, podemos entrar em contato com os maiores pensadores do mundo nas áreas da tecnologia que nos interessam.

O campus Ames é responsável pela parte de supercomputação de toda a Nasa, o que nos dá acesso ao trabalho de mais de 4.000 pesquisadores nesse tema essencial.

Nunca poderíamos estar dentro de Berkeley ou de Stanford, porque gastaríamos muito tempo combatendo suas maneiras velhas de pensar.

Humanos x máquinas

Muitas vezes, o conceito de singularidade [que dá nome à instituição] é posto como um momento mágico no tempo em que a inteligência artificial superará a dos seres humanos.

Não acredito nisso porque nem sequer entendemos perfeitamente ou sabemos mensurar a inteligência.

Temos a inteligência humana como parte de um processo criativo e cheio de nuances, algo que não sei se poderíamos replicar com inteligência de máquinas.

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