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segunda-feira, 4 de março de 2013

Tecnologia: ferramenta desenvolvida no Amazonas dá suporte a autistas

A Síndrome do Autismo se caracteriza pelas anomalias comportamentais, como a limitação ou ausência de comunicação verbal, falta de interação social e padrões de comportamento restrito

CAROLINA SILVA


A design gráfica Alice Gomes e a doutora em engenharia de produção Claudete Ruschival apresentam o 'Linha Educa' (Euzivaldo Queiroz)

Como não existe um tratamento médico para curar a Síndrome do Autismo, apenas estímulos ajudam a criança a melhorar a aprendizagem e comportamento. Ainda não se conseguiu, até agora, provar nenhuma causa psicológica, ou no ambiente de convívio das crianças, que possa desenvolver o transtorno. O que a medicina explica é que os sintomas são causados por disfunções físicas do cérebro.

A Síndrome do Autismo se caracteriza pelas anomalias comportamentais, como a limitação ou ausência de comunicação verbal, falta de interação social e padrões de comportamento restrito. A manifestação dos sintomas ocorre ainda na infância, antes dos três anos de idade, e persiste durante a vida adulta.

Outro problema dos autistas é a dificuldade em sequenciar, pois eles têm dificuldades em se lembrar da ordem da realização das tarefas e, geralmente, nem vêem relação entre as atividades. Além disso, há ainda a dificuldade de aprendizagem.

Com base nesses problemas comportamentais, a design gráfica Alice Gomes, 29, e a doutora em engenharia de produção e professora do curso de Design da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Claudete Ruschival desenvolveram, em parceria com outros pesquisadores da universidade, um software, chamado “Lina Educa”, para ajudar crianças autistas com a organização e dar apoio ao processo de alfabetização.

“A proposta do software é organizar uma agenda das atividades diárias para as crianças autistas, como, por exemplo, escovar os dentes. Ela precisa ter essa referência. O software também vai ajudar na organização das atividades acadêmicas dessa criança”, explicou Claudete Ruschival.

Imagens em alta
As atividades acadêmicas oferecidas pelo software envolvem vários fatores relacionados às palavras e às imagens, ressalta Alice. “Porque a criança autista é muito atenta ao visual”, explicou. “São essas atividades que vão servir de apoio ao processo de alfabetização das crianças autistas. Por isso, ela precisa desse apoio”, completou Claudete.

O projeto se baseia numa pesquisa de análise de comportamento realizada pela Universidade de São Paulo (USP). O projeto também está recebendo apoio do Grupo de Intervenção Comportamental Gradual, de São Paulo, uma clínica de tratamento de crianças com déficit de aprendizado.

Pesquisa acadêmica
O software se originou a partir do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Alice na Ufam. Ao ser publicado como artigo num congresso de design no Rio de Janeiro, o software chamou a atenção de pais de autistas, profissionais de saúde que trabalham com a síndrome e até mesmo de cientistas. Foi a partir daí que Alice e a orientadora do trabalho, Claude Roschival, procuraram apoio para o funcionamento do Lina Educa.

O software foi desenvolvido para funcionar em plataformas móveis, como tablets, e também em computadores, e será disponibilizado gratuitamente para download quando for concluído. O projeto, de R$ 183 mil, foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Também acompanham o desenvolvimento do projeto.

Desenvolvimento
O software Lina Educa começou a ser desenvolvido em janeiro, porém, o projeto foi aprovado pela Fapeam no ano passado. A previsão é que até novembro ele seja concluído e passe para a fase de testes com crianças autistas de São Paulo e de Manaus, com o apoio do Instituto Autismo no Amazonas.

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