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terça-feira, 2 de abril de 2013

Aplicativos de mensagens ‘tiram sono’ do Facebook

Google Imagens

Crie um perfil, construa uma rede de amigos, compartilhe fotos, vídeos e música. Pode até se parecer com o Facebook, mas não é. Milhões de jovens familiarizados com tecnologia têm optado por aplicativos (apps) de mensagens alternativos que estão conquistando a América do Norte, a Ásia e a Europa. Os apps mais procurados incluem os americanos Kik e Whatsapp e os asiáticos KakaoTalk, da Kakao, Line, da NHN, e WeChat, da Tencent Holdings.

Combinando elementos de serviços de mensagem de texto e redes sociais, os aplicativos oferecem um caminho rápido para que os usuários troquem toda espécie de informação - de mensagens curtas a fotos sensuais e clipes do YouTube - sem que precisem dos planos de SMS das operadoras ou das redes sociais estabelecidas originalmente como sites na web.

O Facebook, com um bilhão de usuários, continua a ser de longe o site mais popular do mundo, e seu recente foco nos aparelhos móveis fez dele também o aplicativo mais usado em smartphones. Mas investidores e observadores do Vale do Silício dizem que existe uma possibilidade de os aplicativos de mensagens ameaçarem o domínio do Facebook nos próximos anos. Os maiores desses aplicativos começam a emergir como "plataformas" completas, capazes de funcionar com apps criados por terceiros, como jogos.

É claro que muitos dos usuários dos novos aplicativos continuam no Facebook, o que indica que a gigante da mídia social não corre grande risco de perder mercado, no momento. E, em um evento para a imprensa esta semana, a companhia divulgará notícias relacionadas ao Android, o mais popular sistema operacional para smartphones. As novidades podem incluir uma versão do Android com maior integração às ferramentas de mensagens da rede social ou até um celular com a marca Facebook.

Mas as empresas que parecem a caminho de dominar o mundo das mensagens podem realizar grandes avanços, dizem os investidores. "Interações verdadeiras têm natureza de conversação", diz Rich Miner, sócio da Google Ventures, que investiu no MessageMe, um novo aplicativo que está chegando ao mercado de mensagens. "O número de pessoas que usam mensagens de texto e telefonam é superior ao número de pessoas que usam redes sociais. Se uma empresa dominar o que vier a substituir esse tráfego, estamos por definição diante de algo grande."

O grande desafio para o Facebook é atrair de volta usuários como Jacob Robinson, 15 anos, aluno do segundo grau em Newcastle, no Reino Unido, que disse que o app de mensagens Kik "bombou" entre seus amigos cerca de seis meses atrás. O Kik continua a ser o app mais usado em seu celular Android porque é a melhor maneira de enviar diferentes tipos de mensagens multimídia gratuitamente, o que ele estima fazer 200 vezes ao dia.

Robinson diz que troca fotos de seus trabalhos escolares com amigos quando fica estudando para uma prova até tarde - ou não. "Também viramos a noite com nossos celulares, apenas procurando vídeos engraçados no YouTube para enviá-los rapidamente aos amigos", disse ele. "É fácil. O acesso ao Kik é rápido."

O Facebook "realmente começou a perder terreno por aqui", afirma Robinson, acrescentando que interações no Facebook são menos interessantes que conversas em tempo real.

Concorrência. A Kik, de Waterloo, Canadá, já conquistou 40 milhões de usuários desde seu lançamento, em 2010. Entre as empresas do Vale do Silício que estão na corridas há a Whatsapp, capitalizada pela Sequoia Capital, e a MessageMe, lançada no começo do mês passado por um grupo de produtores de jogos virais.

Enquanto isso, companhias asiáticas vêm produzindo alguns dos aplicativos de mais rápido crescimento. O WeChat, da Tencent, tem mais de 400 milhões de usuários - número bem superior ao do Twitter. O Line e o KakaoTalk têm, respectivamente, 120 milhões e 80 milhões de usuários. Os dois aplicativos já prepararam o terreno para se expandir nos Estados Unidos.

Enquanto as redes sociais estabelecidas correm para incorporar recursos de mensagem, os aplicativos mais novos procuram criar plataformas de rede que permitam incorporar diversos recursos e habilitar inovações que podem partir de desenvolvedores externos.

"Para uma rede social, o caminho estabelecido é criar a rede, depois criar apps próprios e, por fim, abrir a plataforma a desenvolvedores externos", disse Charlie Hudson, sócio da SoftTech VC, uma companhia de capital para empreendimentos que investe em empresas iniciantes (conhecidas como startups).

Mas as redes sociais estabelecidas também podem tentar tomar o controle dos rivais iniciantes - e o Facebook já demonstrou seu apetite por aquisições. O site de Zuckerberg comprou o aplicativo de mensagem Beluga em 2011 e chamou os fundadores do aplicativo para construir seu próprio app, o Messenger, que foi lançado seis meses depois.

Kent Goldman, sócio da First Round Capital, uma empresa de capital para empreendimentos, disse ser improvável que o mercado seja capaz de sustentar um grande número de empresas independentes de mensagens no longo prazo, porque o crescimento tornaria algumas delas mais poderosas. "E ninguém vai querer ser o mais fraco quando chegar a hora", disse.

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