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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Novas tecnologias e e-mails prejudicam a concentração diária

Ferramentas exigem alternância, que gera sensação de “descontinuidade”

Tecnologias atuais levam ao entrelaçamento de trabalho e vida pessoal

PHYLLIS KORKKI
THE NEW YORK TIMES

Nova York, EUA. Sou velho o bastante para me lembrar de tempos mais simples no escritório, quando a conversa – pessoalmente ou ao telefone – era a principal forma de se comunicar. Então, na década de 90, chegou o e-mail. Agora, as caixas de entrada são impossíveis de administrar de cheias. E muitas outras tecnologias se juntaram à festa do local de trabalho, como celulares, mensagens instantâneas, torpedos, redes sociais, intranets corporativas e aplicativos na nuvem para nos comunicarmos no trabalho. Mas algo pode ter se perdido enquanto adotávamos essas novas ferramentas de comunicação: a capacidade de concentração.

“Ninguém mais consegue pensar, pois todos são constantemente interrompidos”, declarou Leslie Perlow, professora da Harvard Business School e autora de “Sleeping With Your Smartphone” (Dormindo com Seu Smartphone, em livre tradução). “A tecnologia gerou essa expectativa de estar sempre conectados”. Os funcionários temem as repercussões que poderiam resultar se eles estiverem indisponíveis, afirmou ela.

O entrelaçamento de trabalho e vida pessoal contribui para a investida, conforme as pessoas falam sobre tópicos pessoais no escritório, e sobre trabalho quando estão em casa.

Segundo um artigo de 2011 na revista “The Ergonomics Open Journal”, as ferramentas eletrônicas de comunicação podem exigir uma alternância constante, o que contribui a uma sensação de “descontinuidade” no ambiente de trabalho. Por outro lado, as pessoas às vezes introduzem deliberadamente interrupções em seu dia como uma maneira de reduzir o tédio e socializar, explicou o artigo.

Novidade. Estamos apenas começando a compreender o impacto das novas ferramentas de comunicação no local de trabalho. O uso dessas tecnologias no escritório é “menos racional do que gostaríamos de pensar”, argumentou Steve Whittaker, professor de interações humano-computador na Universidade da Califórnia.

Tipos mais tecnológicos podem favorecer as novidades em “brinquedos” de comunicação, enquanto outros, como eu, são menos entusiasmados. Em nome da simplicidade, eu tento até mesmo evitar as mensagens instantâneas – mas não posso deixar de pensar que estou perdendo algo.

Muitos conselhos para o ambiente profissional focam como nós, indivíduos, podemos administrar nossas tecnologias, mas em muitos casos isso é uma questão coletiva, de equipe, disse Perlow. Como disse Whittaker, “não estabilizamos nossas práticas regulares”, e estas podem precisar ser negociadas entre funcionários.

É importante distinguir entre comunicação colaborativa e pessoa a pessoa, continuou ele. Sistemas baseados na nuvem existem para compartilhar e editar documentos, e podem permitir que pessoas em diferentes cidades trabalhem juntas em tempo real. Páginas de redes sociais internas podem ser úteis para pesquisar e compartilhar conhecimento.

Mas quando uma pessoa quer se comunicar com outra de forma privada, o e-mail continua sendo o método mais usado, afirmou Whittaker. É por isso que ele é quase universal, apesar de um anseio por algo melhor.

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