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terça-feira, 23 de julho de 2013

Tecnologias na medicina ajudam a salvar vidas no Rio Grande do Sul

Médicos gaúchos já lidam com equipamentos que parecem robôs.
Novo tipo de exame ajuda a diagnosticar doenças precocemente.


Muitos avanços da medicina estão chegando ao Rio Grande do Sul. Os médicos gaúchos já lidam tanto com equipamentos que parecem robôs como com outros que usam até um simples celular para salvar vidas, como mostra a reportagem do Teledomingo, da RBS TV.

O coração frágil do empresário Raul Randon já poderia ter parado de bater. Entretanto, o empresário recebeu um implante de um aparelho que dispara pequenos choques que impedem um infarto. Imediatamente, o equipamento envia alertas por satélite a um centro de monitoramento, fora do Brasil, que manda um sinal para o telefone celular do médico.
“Já me sinto muito bem, essa semana já vi que reagi, realmente esse aparelho deixa a gente viver muito mais”, diz o empresário.

A tecnologia salvou o empresário. No Instituto do Cérebro, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), as pesquisam avançam. Em uma área de segurança máxima, são produzidos medicamentos com substâncias radioativas como flúor, carbono e oxigênio. O paciente recebe as doses em uma máquina, o PET-CT.

“O exame PET é um exame onde a gente usa um fármaco marcado com alguma substância radioativa. Trata-se de uma radiação do bem, que serve pra marcar determinadas estruturas especificas do corpo, seja ela do sistema neurológico ou de outros sistemas. Ela permite que a gente veja bem o funcionamento daquela estrutura, vendo se há alguma distorção do que é usual. Se está brilhando demais, é um indicativo de que há alguma doença naquele tecido”, explica o neurologista Jeferson Becker.

O exame pode ser fundamental no diagnóstico precoce de doenças como a demência e a esclerose múltipla. Atualmente, é a tecnologia mais eficaz para detectar tumores. “Em determinadas doenças, o exame faz toda a diferença, como nos casos de câncer. Pode ajudar a detectar precocemente o tumor quando ele não está aparecendo em nenhum outro exame. Na neurologia, se acredita também que possa fazer toda a diferença, na medida em que é possível detectar mais precocemente a doença ou a falha terapêutica de um tratamento que está sendo indicado ao paciente”, acrescenta Becker.

No Instituto do Cérebro, pacientes que fazem parte de grupos de pesquisa conseguem fazer o exame. Entretanto, para a maioria dos brasileiros, é impossível pagar R$ 2 mil. A dificuldade de acesso dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) preocupa o cardiologista Paulo Caramori, que já foi consultor do Ministério da Saúde. Ele diz que o SUS chega a levar uma década para aderir a uma tecnologia e, quando a adota, os pacientes podem ficar anos em filas de espera.

“Há um fosso entre o paciente e a tecnologia, que hoje só pode ser transposto com o pagamento por ela. Alguém tem que arcar com os custos. Se o SUS arcasse com esses custos, certamente eles diminuiriam. Quando qualquer tecnologia é incorporada em massa, os custos caem. Se não é incorporada, ela sempre permanece como uma tecnologia cara e de difícil acesso. Então, é preciso ter a mudança de pensamento”, avalia Caramori.
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Mesmo que o procedimento seja adotado pelo Ministério da Saúde, cada cidade ainda precisa cumprir exigências, que vão desde a disponibilidade de recursos, vistorias nos centros médicos e assinatura dos contratos, segundo a Secretaria de Saúde da capital.

Para o cardiologista Fernando Lucchese, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, os pacientes devem procurar a Justiça, se essa for a única alternativa, mas nunca desistir de viver. Foi isso que motivou o aposentado Ozi Odi Steinodrff a passar por um procedimento inovador.

O paciente tem uma válvula do coração calcificada, que precisa ser trocada. Ele não resistiria a uma cirurgia convencional. Por isso, tudo é feito por catéteres que entram por um pequeno corte.
“Um fio guia é avançado até o nível da prótese e ali fazemos as manobras apropriadas com todos os catéteres necessários até chegar o ponto final de liberação da prótese com a maior precisão possível, que é determinada pela experiência dos operadores e pela tecnologia que auxilia no perfeito posicionamento, porque não pode ser menos que perfeito”, mostra o cardiologista Valter Lima.

O que faz toda a diferença é um equipamento que parece um robô, com um braço capaz de girar 360 graus. A imagem tridimensional dá a precisão necessária para os cirurgiões implantarem a nova válvula. A estrutura, que parece uma teia, é reduzida até que possa ser encaixada dentro do cateter e assim percorrer a artéria até o coração, onde, com a ajuda dos monitores, os médicos acertam a posição e ela volta ao tamanho normal.

“Essa cirurgia normalmente leva até 1h30, enquanto a cirurgia feita com o tórax aberto demora entre 4h e 5h. A recuperação dessa cirurgia é um dia de UTI mais três dias no quarto do hospital. A outra leva mais dois dias de UTI e demora às vezes mais sete dias até o paciente ter alta”, explica Lucchese.

“Sem esse tratamento, 80% dos pacientes morrem em dois anos. Com este tratamento, entre 20% e 25% acabam falecendo no mesmo período de tempo. Portanto, é um ganho de vida, tanto em quantidade como em qualidade. Esse paciente vai voltar a ter uma qualidade de vida igual àquela que tinha antes do problema aparecer”, defende o cardiologista Valter Lima.

Cerca de 48h depois do procedimento, Steinodrff é encontrado alegre no quarto do hospital. Dos dias mais difíceis, só restam lembranças. “Eu já consigo falar. Antes, eu quase não falava, não tinha ar para falar. Eu acredito que em mais uma semana já vou caminhar como um guri”, diz o paciente.

Aos 74 anos, o aposentado faz planos para o futuro. “Agora eu quero ficar pelo menos um bom tempo do lado da mulher, porque agora eu abri o coração para ela. Eu abri o coração para ela duas vezes, isso aí não é qualquer marido que faz”, brinca Ozi Odi Steinodrff.

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