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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Protegendo Pessoas que Pensam "Diferente"

A maior parte deste capítulo - na verdade, a maior parte deste livro - se baseia em uma suposição: a de que muitas novas idéias são geradas por pessoas vistas como discordantes dentro de suas empresas, indústrias e sociedades. O slogan simples da Apple Computer, "Pense Diferente", captura bem essa perspectiva. Infelizmente, pensar e agir de modo diferente é apenas papo na maioria das empresas, mas quando pessoas realmente fazem isso, são ignoradas, humilhadas e demitidas. Se você realmente quer incentivar pessoas a desenvolverem idéias que serão vistas como burras e impraticáveis, tenho mais um conselho: proíba até mesmo brincadeirinhas que visem a ridicularizar pessoas que sugerem essas idéias malucas.




Humor e risos podem ser coisas maravilhosas, conforme já demonstrei, mas eles têm um lado negro. Pesquisas sobre o humor mostram que, quando brincamos e provocamos os outros, deixamos que os outros façam comentários mais pesados e maldosos do que fariam quando estamos "sérios".³° O ridículo e as brincadeiras maldosas a que muitas pessoas são sujeitas porque são "diferentes" são ótimos exemplos. Esse tipo de humilhação não apenas prejudica almas e espíritos, também sufoca e silencia pessoas que têm a coragem de experimentar algo de novo, ou de fazer qualquer coisa.

O dano que brincadeiras e provocações leves podem provocar é ilustrado por uma história contada por Gordon MacKenzie, que ministra workshops sobre como manter a criatividade em grandes empresas e que tinha o título de Paradoxo Criativo durante seus anos na Hallmark Cards.³¹ MacKenzie ministrava um workshop na Hallmark onde, "com uma ansiedade acanhada", uma mulher começou a esboçar um desenho que mostrava o que ela sentia sobre si mesma, com relação ao grupo de Gestão de Sistemas de Informação do qual ela fazia parte, e a Hallmark. Seus colegas de trabalho reagiram com "vaias bem grosseiras" sobre sua falta de habilidade para desenhar. Ela rapidamente passou de ansiosa para magoada, e então, "depois de um pedido de desculpas pelo desenho, ela correu, de cabeça baixa, de volta para sua cadeira". MacKenzie confrontou o grupo com seu comportamento:

Provocar é uma forma disfarçada de se envergonhar... suspeito que, quando vocês provocaram esta mulher, isso foi um esforço inconsciente de desequilibrar: de impedir que ela se arriscasse, o que ela estava claramente começando a fazer. Por que vocês iriam querer fazer isso?... Porque não queremos admitir para os outros nem para nós mesmos que estamos tentando interromper o crescimento, e disfarçamos a vergonha que sentimos com provocações: "Tudo no espírito da diversão."³²

MacKenzie tem razão. Embora disfarçados de brincadeiras sem maldade, ridicularizações e brincadeiras maldosas podem fazer com que as pessoas parem de pensar e agir de modo diferente, muito embora os torturadores que fazem isso raramente se dêem conta do dano que suas palavras provocaram. Se você quer que as pessoas apareçam com idéias burras e impraticáveis que, mais tarde, podem trazer alegria e riqueza para sua empresa, elogie-os ou tente aparecer com idéias ainda mais absurdas criadas por você mesmo. Se ouvir outros espicaçando as pessoas que propõem idéias escandalosas ou bobas, tome para si a missão de impedi-los. E perceba que, se você e os outros de sua empresa ficarem espicaçando os outros por causa de suas idéias bobas, mesmo de maneira brincalhona, a probabilidade é de que as pessoas criativas comecem a esconder o que sabem. Elas simplesmente seguirão com a multidão, pelo menos por enquanto, até irem trabalhar para um de seus concorrentes ou iniciarem suas próprias empresas.

Sutton, Robert I. | pág. 169 |  Idéias Malucas Que Funcionam - 11 ¹/² Idéias Para Promover, Gerenciar e Sustentar a Criatividade e a Inovação nas Empresas | Editora Campus

Eleito um dos 10 melhores livros de negócios pela Harvard Business Review
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