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quarta-feira, 22 de março de 2017

Tecnologia, moda, saúde e games: veja empresas brasileiras no South by Southwest

Com empresas diversas, estande do Brasil atrai olhares no South by Southwest (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

Empreendedores do Brasil apresentaram no evento americano serviços de música, 'uber dos médicos', game violento, calcinhas e outros projetos.


Por Fabricio Vitorino, Globo.com, Austin (EUA)

O South by Southwest 2017 foi cercado de expectativas para as empresas brasileiras. Durante o festival de tendências e tecnologia, realizado em Austin, nos Estados Unidos, mais de 1.100 brasileiros marcaram presença entre 10 e 19 de março.

No South by Southwest Interactive, uma parte do evento com tendências tecnológicas, uma enorme feira de exibições foi montada no Austin Convention Center, que fica no centro da cidade e é o coração do evento. Ali, centenas de empreendedores, grandes empresas, startups e países mostram suas principais apostas para o mercado de tecnologia, moda, saúde e games. E o pavilhão brasileiro, organizado pela Apex-Brasil, ocupava espaço de destaque.

A feira tem como objetivo estimular a troca de informações, mas fazer negócios ou conseguir um financiamento acabam sendo desdobramentos para quem dá as caras por lá. O G1 circulou pelo pavilhão, conferiu algumas das principais empresas brasileiras presentes no evento e conversou com seus fundadores e diretores.

Superplayer foi o primeiro no mundo a usar ‘bots’ para interagir com usuários (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

Superplayer

O Superplayer é um serviço de música brasileiro que tem como diferencial as playlists temáticas. É possível escolher músicas para churrasco, para começar o dia, para almoçar, ou de novelas antigas, por exemplo. Criada pelo gaúcho Gustavo Goldschmidt e seus irmãos no final de 2010, o Superplayer foi usa os chatbots para interagir com o usuário.

Sua Música dá ferramentas de divulgação para artistas novos e regionais, (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

Sua Música

Com o objetivo de ser uma “experiência social” para artistas novos, o Sua Música também já está há alguns anos na estrada. No serviço, que tem como embaixador espontâneo o cantor Wesley Safadão, estão “bootlegs” (gravações exclusivas feitas em shows), notícias, fotos e vídeos de artistas, produzidos por eles. “Nosso objetivo é empoderar o músico e o usuário. A gente dá as ferramentas para o artista divulgar seu trabalho e se conectar diretamente com o usuário”, diz Alan Trope, um dos diretores do site.

Além de oferecer conteúdo para o usuário final, o Sua Música também disponibiliza serviços para músicos, como registro, big data (é possível saber qual música é mais consumida em qual cidade, por faixa etária e gênero, por exemplo). “Nossa relação com as gravadoras já foi mais tensa, mas agora é boa. Acabamos funcionando como um termômetro do mercado, o que pode ser muito útil”, diz Roni Bin, responsável pelo marketing do site.

Doutor Já permite que usuários marquem suas consultas e evitem filas e longa espera (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

Doutor Já

Sem tentar fugir dos clichês, o Doutor Já pode ser considerado um “Uber dos médicos”. Afinal, pela plataforma, é possível escolher médicos e agendar consultas, evitando filas e organizando melhor a vida de pacientes e profissionais de saúde. “Nosso serviço já tem 3 anos e procuramos causar um impacto social, sermos parceiros dos médicos”, diz Gustavo Valente, fundador do site.

O Doutor Já, ainda segundo Valente, ganha em porcentagem da consulta – exatamente como o serviço de carros ou o AirBnB. Por isso, uma das preocupações possíveis seria a relação com os planos de saúde. “Não sei se nos enxergam como concorrentes, mas de qualquer forma isso não seria certo. Somos complementares. Queremos ser amigos do médico, parceiros do plano e, assim, ajudar o paciente”, explica.


ZeroFy

Ainda na onda dos serviços inspirados no Uber ou no AirBnb, o ZeroFy poderia ser classificado como uma versão “provedor de internet” dos serviços. Pelo aplicativo, o usuário pode ganhar senhas para conectar 3G ou 4G gratuitamente, num serviço bancado por patrocinadores. “A conexão se tornou um luxo, e a necessidade de consumo de dados cresce mais que o poder aquisitivo. Aí que entra o ZeroFy, dando acesso a quem não tem”, diz Andre Schussel, um dos fundadores do serviço.

Ao contrário dos wi-fi de graça, que podem oferecer riscos aos dados do usuário, o ZeroFy é um serviço seguro, que segue as normas das empresas de cartões de crédito. “Nós não damos a conexão, nem megabytes. Quem dá a conexão é a operadora, logo, os usuários devem seguir as mesmas regras. Nós vendemos engajamento, e assim queremos ajudar a democratizar o acesso à web”, diz Mauricio de Chiaro, outro dos fundadores do ZeroFy.

GUTS, o game brasileiro promete causar com violência, sangue e tons cômicos (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

FluxGames Studio

Uma das principais apostas do Brasil para se tornar um exportador de jogos é o GUTS, um jogo ultraviolento, mas completamente caricato, inspirado no visual de quadrinhos e... nos filmes de Quentin Tarantino. “Queríamos fazer um jogo, mas não poderíamos fazer algo igual aos grandes estúdios. A fórmula dos games de luta é a mesma há 25 anos: um contra o outro, barra de vida, tempo... Vimos aí uma oportunidade e mergulhamos de cabeça”, diz Paulo Luis Santos, fundador da FluxGames.

De fato, o jogo é tão violento quanto inovador e engraçado. Ao som de músicas brega dos anos 60 e 70, os lutadores vão se mutilando aos poucos, num banho de sangue. Conforme vão perdendo os membros, o jogo vai ganhando dificuldade e adquirindo golpes. Uma das preocupações, claro, é a censura em alguns países, o que não assuta Santos. “Sabemos que isso é um dos riscos e discutimos isso exaustivamente. Ainda se perdermos algum mercado, faz parte”, diz.

E o fato de ser brasileiro não anima (nem desanima) o criador de GUTS. Para ele, o jogo precisa ser bom para ser consumido mundialmente. “O jogo é 95% brasileiro e vai sair para Xbox One, PlayStation 4 e PC. Ninguém nas lojas de games escolhe o que vai jogar por país. Escolhe pela recomendação. Logo, se for bom, independente de ser brasileiro, vai fazer sucesso”, diz Santos.

Calcinha brasileira livre de bactérias já vem pronta para ser usada (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

2Rios Lingerie

Oferecer roupa íntima esterilizada para mulheres é a proposta dessa fábrica de lingeries de Santa Catarina. As calcinhas, vendidas prontas para serem usadas, estão livres de quaisquer bactérias, e foram uma das sensações do estande do Brasil na feira. E segundo Matheus Fagundes, presidente da empresa, elas são apenas o primeiro de uma linha de produtos inovadores. “O processo de esterilização pode evoluir para roupa íntima que fique sempre livre e bactérias”, explica. As calcinhas 2Rios ainda não chegaram ao mercado, mas sua liberação já está próxima.

Tecidos coloridos e ecológicos, feitos com restos de outras fábricas, da Japonique (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

Japonique

Baseada na filosofia do “mottainai” (expressão japonesa significa “culpa pelo desperdício de algo útil"), a empreendedora paulista Jana Tahira faz roupas com sobras de material de outras fábricas. “Resolvi investir numa forma de produzir que não só não desperdiçasse nada, mas ainda aproveitasse material. Aí entra o conceito de ‘upcycling’, dar mais um ciclo de vida aos materiais”, explica.

Como Tahira usa sobras de outras marcas, é impossível saber como cada roupa vai ficar. É preciso analisar peça a peça e juntar tudo para poder construir algo novo. Por isso, cada roupa é única. E tem uma história própria por trás. “A gente quer que as pessoas tenham uma percepção estética boa e, depois, quando ouvirem a história, se encantem mais ainda. E fiquem fascinadas com a ideia de reaproveitar o lixo”, diz.

Bolsas da Mole Bags são feitas com sobras de curtumes no Rio Grande do Sul (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

Mole Bags

Utilizando conceito similar à Japonique, a gaúcha Mole Bags produz bolsas em couro com material que sobra de curtumes no Rio Grande do Sul. Os produtos têm visual exclusivo – a ideia é não ter duas peças iguais – e são extremamente ecológicas. Uma das sócias, Fernanda Daudt, contou ter mudado de vida por acreditar na ideia de um negócio sustentável. “Eu trabalhei muitos anos em consultoria, mas resolvi investir nessa ideia. É difícil, mas a gente precisa acreditar no que faz”, diz, enquanto mostra uma de suas bolsas a uma cliente americana.

Camisas com nanotecnologia da Horvat não mancham nem pegam cheiro (Foto: Fabricio Vitorino/G1)

Horvath

Com suas camisas que não mancham, não absorvem líquido nem têm odores, a Horvath camisas faturou o Acelera Startup 2016, em São Paulo. E causava espanto em quem assistia aos vídeos de demonstração no estande. Água, vinho, café, líquidos coloridos de todo tipo, nada mancha a bela camisa branca. A nanotecnologia empregada na trama dos tecidos é o segredo da roupa, que deve custar cerca de US$ 70 (entre R$ 250 e R$ 300 no Brasil).

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